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Greves

09 de dezembro, 00:31

Nunca se viu governo tão ufano com ministros tão encolhidos.

Os enfermeiros estão em greve. Os juízes também. Assim como os guardas prisionais. Para não falar dos ferroviários. E já agora, também, dos funcionários judiciais.

A PJ vai fazer greve. Os professores já anunciaram a chegada do inferno para o ministro da Educação. Os agentes da PSP e da GNR estão num processo de luta rija. Os estivadores estão em greve. Os camionistas, desagradados com os preços do gasóleo, falam em seguir o caminho dos seus camaradas franceses. Os funcionários públicos arregaçam as mangas para a luta. A palavra greve está na ordem do dia.

Os ministros vivem de respostas redondas a tão grande protesto. Evasivos e titubeantes. A maior parte deles escondidos, não haja pergunta por perto que incomode a quietude a que estão obrigados. Até metem dó. Nunca se viu governo tão ufano com ministros tão encolhidos. O chefe Costa proclama sucessos grandiosos. Embora Portugal não esteja a convergir com os países mais desenvolvidos.

Os presos amotinam-se. E Centeno, orçamento especulativo nas mãos, arregaça as mangas para cativar a despesa/investimento aprovado na Assembleia da República. Que não está em greve. Está a fazer barrela com a sucessão de escândalos. As viagens de milhões. As presenças que são falcatruas, para além das falcatruas que são presenças.

A oposição tem fraca voz. A geringonça tem a entoação de voz conforme dá jeito. Todos rezam para que chegue o Natal. Quer dizer, aquilo que antigamente se chamava Natal e foi expropriado pelo consumismo. Há esperança de que o movimento grevista faça as tradicionais tréguas natalícias.

Depois chega 2019 e logo se verá. Foi sempre assim. Adiando o que é estrutural, sacudindo a água do capote se for episódico. Vale mais o poder por um dia do que uma ou duas reformas que modernizem o País. O diálogo é a venda da banha da cobra por estes dias. Enquanto Portugal mirra.

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