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A Rainha de Inglaterra

13 de fevereiro, 00:30

Os portugueses podem dar-se ao luxo de ter comandantes com azar.

Quando um navio da Marinha Real Britânica tem um acidente o seu comandante pede a exoneração. Assim se restabelece a confiança da guarnição no comando e o inquérito corre sem constrangimentos.

Se teve responsabilidade, a exoneração justificou-se, se não teve justificou-se na mesma porque Sua Majestade não se pode dar ao luxo de ter comandantes com azar. Não sei se a regra é verdadeira, mas é pelo menos bem inventada.

Vem isto a propósito dos 18 mil milhões de euros dos contribuintes distribuídos pela banca portuguesa, e que tudo indica ainda vão aumentar - são praticamente dois anos de funcionamento do Serviço Nacional de Saúde.

Perante este descalabro, cujas responsabilidades têm de ser inequivocamente determinadas, torna-se cada vez mais difícil compreender que muitos dos protagonistas de então se mantenham em lugares-chave, geradores de falta de confiança e de situações de potenciais conflitos de interesses.

Três nomes são particularmente sonantes: Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, Faria de Oliveira, Presidente da Associação Portuguesa de Bancos, e António de Sousa, administrador da ECS.

O Governador do Banco de Portugal foi administrador da Caixa no período crítico e participou em decisões de crédito, cabendo-lhe agora o papel de juiz em causa própria e dos seus colegas.

Faria de Oliveira presidiu à Caixa no período mais negro da sua história e agora representa todos os bancos. António de Sousa, presidente da CGD durante 5 anos, é sócio e administrador da ECS, onde gere ativos que lhe são entregues pela Caixa sem critério conhecido e que o atual presidente da Caixa não quis revelar em audição parlamentar do passado dia 7.

Ao contrário da Rainha de Inglaterra, os portugueses podem dar-se ao luxo de ter comandantes com azar.

Bruno Lage
Solução de recurso para uma crise mal gerida, que acabou com a saída abrupta de Rui Vitória, o novo treinador do Benfica está a revelar-se um verdadeiro furacão na Primeira Liga.

Banco de Portugal
O cerco aperta-se. A participação do Governador em algumas das deliberações de crédito da administração da CGD coloca os potenciais conflitos de interesses na cúpula do Banco de Portugal e abala a confiança no sistema.

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