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A palavra do Governo

13 de agosto, 00:30

Um Governo que só cumpre à força de ameaças de greve não governa.

A pior coisa que pode acontecer a um Governo é deixarem de respeitar a sua palavra. E este Executivo de António Costa acumula episódios de que está a trilhar esse caminho.

O que está mais presente na memória é o balanço do incêndio de Monchique: perante a incapacidade de dominar o fogo nos primeiros dias, e deixando-o transformar-–se no maior da Europa este ano, concluiu-se que era uma "grande vitória" não haver vítimas mortais.

Mas há outro caso que envolve o valor que a palavra dos governantes devia ter – e não tem! Os inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras – SEF acordaram há um ano com o Governo a forma de atualizar o seu regime de trabalho em piquete e prevenção, tendo sido aprovada pela Assembleia da República uma norma no Orçamento do Estado de 2018 para o permitir.

Em maio, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, assinou uma portaria que concretiza essa atualização. No entanto, como a portaria tem de ser conjunta e carece da assinatura do ministro das Finanças, Mário Centeno, este não a assinou. E tudo continua na mesma. Isto é indigno de um Governo sério. Um Governo que só cumpre à força de ameaças de greve, não governa – funciona para se manter no poder.

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