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À procura do registo

13 de outubro, 00:30

Antes de falar, já sabemos o que Manuela Moura Guedes vai dizer.

Três anos após as últimas aparições regulares em televisão, na RTP, Manuela Moura Guedes voltou na segunda-feira, no ‘Jornal da Noite’, da SIC. Olhando as audiências, o regresso correu bem, já que recolheu a preferência de 1,2 milhões de telespectadores e bateu o concorrente direto, Miguel Sousa Tavares, agora na TVI, invertendo a liderança do canal de Queluz, com o ‘Jornal das 8’, que superou o da SIC por escassa margem.

O resultado da estreia reflete o interesse do público pelo reaparecimento de uma mulher de personalidade forte e sem medo das palavras. Mas poderá não se repetir se Manuela não ultrapassar dois obstáculos relevantes. O primeiro é o da independência da sua opinião. Não devia seguir, por exemplo, a estratégia habitual de José Sócrates, que fala para atingir alguém. O posicionamento político da ‘Procuradora’ é conhecido e sabe-se o que vai dizer antes de começar a falar. Ou se distancia e equilibra o registo ou o comentário perderá credibilidade.

O outro obstáculo está na poderosa imagem televisiva de Rodrigo Guedes de Carvalho, que aparece mais como figura tutelar que opina do que interlocutor que pergunta. Libertar-se desse bloqueio terá de ser uma prioridade. Não é tarefa fácil.

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