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As nossas tochas ilegais

15 de setembro, 00:30

O ex-presidente do Sporting descreveu o incidente como um “festival de pirotecnia”.

Os poderes constituídos da vida civil e da vida desportiva não demonstram a menor vontade de acabar com o problema das claques dos clubes de futebol. Acabar com o problema das claques é coisa simples: basta acabar com as claques propriamente ditas e logo se poria fim ao rol de desacatos públicos e à violência generalizada que emana dessas detestáveis organizações de pseudo-juventudes – na realidade trata-se de gente bem crescidinha – escudadas em bandeiras de todas as cores e que marcham ao som de hinos odientos.

As claques são um problema político, não são um problema desportivo. Alguém de bom senso tem dúvidas sobre as periculosidades e insalubridades desta matéria?

Esta semana voltou-se a falar do comportamento desta classe de espectadores depois do Conselho de Disciplina da FPF ter punido o Benfica, o Braga e o Paços de Ferreira com um jogo "à porta fechada".

No caso específico de o Benfica este castigo vem somar-se a um outro que lhe foi aplicado pelo IPJD na semana passada em função de não ter o clube da Luz as suas claques "legalizadas". Convém acrescentar que esta FPF que castiga o Benfica pelos motivos apontados é exatamente a mesma FPF que contrata o líder da claque "legalizada" Super Dragões e alma inspiradora do internacionalmente famoso Canelas Futebol Clube para, patrioticamente, conceder o seu apoio à seleção nacional com a "alegria" que, sob a sua voz de comando, só ele sabe comunicar às bancadas.

As bancadas sem público não passam de inóspitos monos de cimento. Com público transformam-se numa "entidade" com os seus pergaminhos, direitos e deveres. No Estádio da Luz, por exemplo, sempre que um petardo rebenta ou uma tocha é atirada para o relvado logo irrompe das bancadas um valente coro de protestos contra tamanha desfaçatez e, sobretudo, contra quem permite a entrada no recinto desses engenhos explosivos denominados de "material pirotécnico" como se um jogo de futebol fosse um arraial de morteiros. Ou um concurso de fogueiras.

No penúltimo dérbi lisboeta – em Maio passado – viu-se o guarda-redes e então ‘capitão’ do Sporting bombardeado com uma torrente de tochas que interromperam o jogo, mas que não foram disciplinarmente sancionadas visto tratarem- -se de tochas "legais".

O então presidente do Sporting descreveu o incidente como um mero "festival de pirotecnia" e a sua tese vingou em todas sedes disciplinares tendo em conta a inimputabilidade dos festivaleiros legalmente organizados. As minhas tochas são mais legais do que as tuas ou não são?

Rui Pinto pau-para-toda-a-obra é da maior conveniência

Dois anos depois de ter sido apontado como o responsável pelo roubo e divulgação de informação privadíssima do Sporting e do FC Porto – um episódio fugaz que ficou conhecido pelo nome de Football Leaks, lembram-se? – voltou agora o mesmo hacker a ser apontado como o autor do roubo de uma década do correio eletrónico do Benfica que, até à ordem judicial em contrário, vinha sendo alegremente divulgado através da estação televisiva Porto Canal.

É provável que daqui a dois anos volte Rui Pinto, é este o nome do referido hacker, a ser notícia de jornal. Quem sabe se não lhe apontarão o crime daquele já antiquíssimo roubo dos computadores na sede da Federação Portuguesa de Futebol e a consequente exposição de dados pessoais de árbitros ainda no ativo? Um Rui Pinto pau-para-toda-a-obra é da maior conveniência nesta altura do campeonato. E quem sabe se o campeonato de 2019/2020 não será batizado como Liga Rui Pinto em homenagem sabe-se lá a quem. Ou a quê.

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