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Como pensa você que é?

09 de dezembro, 00:30

Pensar que é assim ou assado pode mesmo levá-lo a ser dessa maneira.

Será que cada um de nós é como pensa que é? E que consequências pode ter na nossa maneira de ser, o pensar que somos assim ou assado? E se estivermos enganados? Se pensarmos que somos de uma dada maneira, que fazemos as coisas deste modo, que gostamos disto e não daquilo, mas de facto não ser esse o caso?

A ideia de que as pessoas são diferentes, e que cada um é como é, sendo óbvia, pode também ser perigosa. Pode sugerir que as pessoas são como são e não mudam; "és assim mesmo, sempre foste assim, casmurro e não há nada a fazer…", ouve-se às vezes. O pior é quando quem ouve se convence disso mesmo…

"Sempre ouvi dizer que não tenho jeito nenhum para a matemática…"; "desde pequenino nunca tive inclinação para a música…"; "sempre fui muito fechado…", etc. Será talvez de perguntar: mas alguma vez estudaste matemática a sério? Praticaste algum instrumento musical? E não deste já por ti, envolvido, e a falar com amigos e colegas? Talvez? Pode ser que pensar que somos de dada maneira ajude a que sejamos dessa mesma maneira.

A mentalidade fixa, um conceito desenvolvido por Carol Dweck, investigadora da Universidade de Stanford, na Califórnia, designa a ideia-feita de que as pessoas nascem com determinada personalidade, inteligência, feitio e não mudam. É um tipo de mentalidade no âmbito da qual, possivelmente, muitos de nós fomos educados.

Um problema importante da mentalidade fixa é sugerir que cada um é como é. Se assim for, então errar uma vez numa dada tarefa pode significar errar muitas vezes nessa mesma tarefa; não se tem jeito, não se é capaz, não se é competente. Se se acreditar que é assim mesmo, as coisas ficam ainda pior. Não se arrisca, suspeita-se que vai correr mal; o melhor é não fazer nada, ficar quieto.

Mas a mentalidade fixa não está certa. A ciência hoje em dia é clara: as pessoas não são estáticas, não têm as mesmas características ao longo da vida, podem sempre aprender e fazer melhor. Em geral, qualquer pessoa pode melhorar no que quer que seja.

As provas da maleabilidade do cérebro têm-se acumulado. O cérebro não se desenvolve apenas na infância, mas ao longo da vida toda – assim lhe seja solicitado. Mesmo em idades avançadas pode haver criação de novos neurónios e de novos padrões neurais, quer dizer que podem ser gerados novos conhecimentos e novas capacidades.

Cuidado, por isso. Pode ser que você seja como pensa que é precisamente porque pensa que é dessa maneira e não por qualquer outra razão ou fatalidade. Se deixar de pensar que é como é, e se pensar que é como vai sendo, se quiser mudar vai ser bem mais fácil mudar, desenvolver-se e fazer o que se propuser.

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