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Democracias em risco

09 de dezembro, 00:32

A elite política aparenta cada vez menos qualidade.

Povos cada vez mais extremados entre pobres e ricos – uma classe média empurrada para a proletarização, mesmo na posse de cursos superiores em áreas antes nobres, como a medicina e o direito -; o desemprego a provocar olhares de desconfiança sobre os que chegam dos domínios da fome e da guerra; a cedência ao discurso do lucro em áreas fulcrais do benfazejo Estado Social, que emergiu da última guerra mundial.

A este venenoso caldo, juntemos a submissão do plano político ao financeiro, com líderes eleitos pelos povos a enriquecerem depois à sombra dos grandes empórios privados sobre os quais decidiram. E a corrupção, esse tumor social a que as democracias europeias têm devotado meros cuidados paliativos. Um cancro que se finge combater, mas sem meios humanos e legais que o logrem extirpar.

Os povos europeus ainda têm pão. E até subsídios vários para trincar brioche. Mas por todo o lado, à sombra das democracias, crescem os extremos populistas que ameaçam o atual modo de vida, os regimes democráticos, os sistemas políticos.

A elite política que tem emanado das democracias aparenta cada vez menos qualidade e despojamento pessoal a favor da coisa pública. Mas será melhor o que ameaça já passar-se a seguir? Serão melhores, mais justos e impolutos os líderes que emergem das duas barricadas dos populismos? Nada aponta para tal esperança.

Seria desejável que – enquanto é tempo, se ainda houver tempo - os atuais sistemas se regenerassem pela reforma. Sem este movimento regenerador, que semeie bem-estar e trave a dissolução das funções dos Estados, a revolução acontecerá nas urnas de voto, enquanto os mais inflamados tomam as ruas a favor dos futuros jacobinos.

Por toda a Europa, a hora é grave, e nem de candeia acesa se encontram grandes vultos de Estado.

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