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Geringoncices

14 de outubro, 00:30

Este governo sonso tem uma arte que é própria da vulgaridade.

A queda deste ministro da Defesa, há muito tempo incapacitado politicamente, é, mais uma vez, o momento em que o Governo e a respetiva geringonça que o apoia, revelam muitas das faces da ligeireza de mercearia com que se tratam assuntos de Estado. Já quando ocorreram os incêndios com grande quantidade de mortos, a ligeireza no trato e na resposta foram semelhantes. Um chefe de governo a desvalorizar a gravidade da situação, sorriso descontraído e passo ligeiro, fugindo a explicar coisas que merecem debate sério, defendendo ministros sem esperança e, de repente, lá chegam as demissões. Este governo sonso tem uma arte que é própria da vulgaridade.

A farsa a que esta semana assistimos no Parlamento, com o chefe Costa a flagelar a oposição porque Tancos não era um caso político e o ministro era o seu querubim de estimação, confiança absoluta, determinação na luta, terminou menos de quarenta e oito horas depois com o doutor Azeredo a pôr-se a milhas. Para não desgastar a imagem das Forças Armadas, disseram ambos. Como se não fossem os principais responsáveis políticos por toda esta confusão. Confusão deliberada para que o ónus da responsabilidade caísse em cima da tropa.

Porque, a verdade, as tropelias da PJ Militar não remetem para comandos militares. É, ainda, no território da farsa, as reações dos aliados. Mansinhos. Condescendentes. Até contrariados. Num momento em que negoceiam os interesses das suas corporações de estimação para o Orçamento de 2019, não deu jeito nenhum esta confusão sobre quem encobriu ou não crimes contra a soberania do Estado. Fosse um dos tais governos de direita, usados como o papão que leva o menino se não comer a sopa, e estaria armada uma gritaria enorme pelas praças, avenidas e televisões, exigindo a demissão do ministro e do governo. Assim, a coisa resolve-se com um suspiro. E com a água benta que os acólitos de serviço conseguirem derramar sobre o evento.

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