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Ilusão de retoma

13 de outubro, 00:32

Há uma ilusão de retoma, mas restam ainda muitas fragilidades.

Sete anos após o resgate da troika, a história da recuperação económica do País é de sucesso. Depois de um duro ajustamento, com sacrifícios brutais, o PIB voltou a crescer, o desemprego reduziu-se substancialmente, as famílias sentem que têm mais dinheiro disponível, o País ficou na moda, com a explosão do turismo a ser um fator de valorização do mercado imobiliário. Voltou a loucura do consumo alimentado a crédito fácil e barato.

Mas para lá da superfície da aparente bonança, a retoma da economia portuguesa está longe de ser consolidada. E no Estado que, à custa de um recorde de carga fiscal, reduz o défice e lentamente baixa a percentagem da dívida face ao PIB, a margem é apertada.

Por isso, um orçamento de combate eleitoral que tem como objetivo principal vencer eleições em 2019 e que promete muito a muita gente corre o risco de acionar uma bomba-relógio na despesa que, mais tarde ou mais cedo, rebentará. Basta lembrar o Orçamento de 2009, para sabermos os riscos de um passo maior do que a perna nos gastos do Estado.

Visão de curto prazo
As boas regras obrigariam a acautelar em tempo de vacas gordas os perigos dos períodos de vacas magras, que inevitavelmente chegarão. Mas quem manda está mais interessado no próximo ciclo eleitoral.

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