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Morrer a rir

09 de dezembro, 00:30

Perante a tragédia, que se pode fazer senão rir ou para além de rir?

Perante a tragédia, que se pode fazer senão rir ou para além de rir? E o que é a vida senão uma imensa tragédia que, na melhor das hipóteses, voa veloz como um sonho do berço à sepultura?

O humor não nos salva da morte, mas permite-nos viver e conviver um pouco melhor com a desgraça e o desamparo, suportar um pouco mais a nossa finitude, toda a imperfeição humana (inclusive a própria) o absurdo, a injustiça, a dor.

O humor é, assim, coragem, alívio, liberdade, transgressão, sabedoria. É prazer. É Eros, oposto de Thanatos, é vida, amor, desejo e vontade.

‘The Ballad of Buster Scruggs’ dos irmãos Coen capta tudo isto e envolve-o numa rara capacidade de contar histórias em sons e imagens. Neste filme para a Netflix, os cineastas depuram a sua marca autoral e regressam à essência, ao paradoxo do humor que tanto vive no lado mais negro como no mais palerma, no essencial e no irrisório, na crueldade e na piada.

A coisa desfia-se entre cowboys, caravanas, forcas, duelos, saloons e escalpes. Os Coen conseguem filosofar no recreio. E isso é arte.

Título: ‘The Ballad of Buster Scruggs’
De: Irmãos Coen
Exibição: Netflix

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