em destaque

O selo da demagogia

14 de fevereiro, 00:30

O que se impõe é que o estado garanta o cumprimento do contrato actual.

Nem com o Estado a falhar todos os dias num conjunto de serviços essenciais aos cidadãos a esquerda dá tréguas à sua sanha nacionalizadora. Na próxima semana, PCP, BE e PEV voltam a tentar no parlamento a reversão da privatização dos CTT.

O tema é puramente eleitoralista e ideológico por parte de quem defende um modelo de sociedade centralizador e estatizante, em que a iniciativa privada é sempre o alvo a abater. Sei que uma facção do PS partilha esta agenda, mas até o governo já veio dizer que só no final do contrato da concessão será feita a reavaliação.

As críticas aos CTT são conhecidas: que estão a abandonar o território, que a qualidade do serviço se degradou, que não responde às necessidades da população, sobretudo a mais idosa e do interior.

As exigências do regulador das comunicações alinham por este diapasão, e pedem mais e mais indicadores de qualidade de serviço a uma empresa que, dizem os seus responsáveis, já tem dos níveis de serviço mais exigentes da Europa.

E que, asseguram, estão a cumprir na qualidade de serviço, na cobertura do país, aumentando os estabelecimentos postais em todo o território e no serviço universal. Isto numa altura em que, por força da evolução tecnológica, o negócio de correio tradicional está em forte queda.

É claro que queremos todos mais qualidade, mais estações de correio, cartas e encomendas a chegar a tempo ao seu destino e que os Correios sejam um factor de coesão. Mas essa é uma discussão que nada tem que ver com a natureza privada ou pública da empresa.

Agitar essa bandeira é só demagógico – veja-se o banco público, que tem fechado dezenas de balcões um pouco por todo o país. O que se impõe, para melhor servir as populações, é que o Estado garanta o cumprimento do contrato actual e faça uma boa negociação do novo contrato para a prestação do serviço universal, a partir de 2020.

comentários

comentar
Faltam 350 caracteres