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O sexo dos bispos

16 de setembro, 00:31

A sucessão de escândalos confronta a igreja com o seu maior tabu: o sexo.

Começa a tornar-se insuportável a vaga de escândalos que varre a Igreja Católica tendo o sexo por motivo. Abusos sexuais sobre crianças, violações de menores que, ao longo de décadas, foram escondidas, mitigadas, iludidas pela hierarquia eclesiástica.

A última revelação vem da Alemanha, números da própria Igreja, que apontam para milhares de crianças vítimas de pedofilia por sacerdotes, bispos e outras funções correlativas. Ainda há pouco tempo, o Papa ouviu na Irlanda um mar de protestos. Para não falar do Chile, dos Estados Unidos e de outros países onde a acção criminosa e, sublinho, o encobrimento da hierarquia, tem mantido predadores sexuais na maior impunidade.

Não é de hoje este assunto. Vários Papas tiveram de pedir desculpa pelos desmandos do seu rebanho de pedófilos. Porém, o Papa Francisco, talvez o espírito mais aberto que nos últimos cinquenta anos liderou o Vaticano, está a ser causticado por esta história de horrores impunes, obrigando-o a abordar o assunto directamente.

Não creio que a sua militância anti-pedófilos tenha qualquer valor preventivo. Na verdade, a sucessão de escândalos, de nojo e de indignação, confronta a Igreja com o seu maior tabu: o sexo. Uma resistência à compreensão do mundo que se torna desesperante para os crentes que respeitam a memória mas já vivem no séc. XXI.

Hoje, quando o matrimónio mais laico do que sacralizados, que o divórcio é um instrumento jurídico vulgar, onde acasalar já não significa casar, nem tão pouco a união de pessoas de sexo diferente. Hoje, quando a pílula auto-determinou o futuro da Humanidade, a demografia, o acasalamento sem medos.

Hoje, quando os direitos de homossexuais, de transexuais, estão constitucionalmente resguardados, deixou de fazer sentido há muito tempo os dois maiores preconceitos eclesiais: o juramento de inibição sexual e a interditação de mulheres à carreira eclesiástica.

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