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Dois mortos e 43 feridos em acidente com Alfa em Soure

Grua está a retirar composições da linha.

Dois mortos e 43 feridos em acidente com Alfa em Soure
Correio da Manhã|31 de julho de 2020 às 16:12
Durante a manhã deste sábado, começaram os trabalhos de remoção das carruagens do alfapendular que seguia a 190 km/hora quando descarrilou em Soure, esta sexta-feira, vitimando duas pessoas e fazendo, pelo menos, sete feridos graves. 

"Devido à complexidade dos trabalhos", ainda não é "possível prever quando será restabelecida a circulação na Linha do Norte".

3 feridos internados, um inspira mais cuidados
Quarenta e um dos 44 feridos do descarrilamento de um comboio Alfa Pendular, no concelho de Soure, distrito de Coimbra, ocorrido na sexta-feira já tiveram alta e os outros três permanecem internados, disseram à Lusa fontes hospitalares.

Em declarações à Agência Lusa, o gabinete de relações públicas do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), refere que dos 28 feridos que deram ali entrada, 25 já tiveram alta clínica e os restantes três permanecem internados.

"Um doente está internado na medicina intensiva (o caso que inspira mais cuidados) e dois estão na unidade de cuidados cirúrgicos intermédios", disse a mesma fonte.


"Parecia um ataque terrorista": comboio alfa colide com máquina e mata trabalhadores
Mesmo ferido e a sangrar, o maquinista do comboio Alfa Pendular com 212 passageiros que esta sexta-feira descarrilou após abalroar uma máquina na Linha do Norte, em Matas, Soure, percorreu as seis carruagens para ver como estavam os passageiros logo após o embate. “Ele veio ter connosco, dizia ‘está tudo bem’, mas via-se que estava muito ferido”, disse ao CM uma passageira, que escapou ilesa.

Especialista diz que o que se passou com comboio em Soure foi "criminosamente grave"
O especialista em Transportes e Vias de Comunicação Luís Cabral da Silva considerou esta sexta-feira que o acidente com o comboio Alfa Pendular, em Soure, que vitimou duas pessoas, foi "criminosamente grave" e "inexplicável".

"Se de facto estamos perante uma situação dessas, estamos perante uma bizarria", salientou à agência Lusa o especialista.

De acordo com Manuel Tão, os transportes ferroviários, como o comboio Alfa Pendular, têm um recetor que recebe informações do sistema Convel, que controla a velocidade dos veículos e também garante o cumprimento da sinalização.

"Neste caso, o comboio alfa pendular estava munido de um recetor desses. Ora o veículo que entrou na via principal, estando numa via secundária, e que acabou por ser atingido pelo Alfa Pendular não é garantido que estava equipado com o recetor do Convel", realçou.

Para Manuel Tão, poderá ter havido uma falha de comunicações, se, de facto, houve uma sobreposição de regulamentos diferentes.

"Os veículos podem funcionar com sistema de sinalização por via do seu recetor e outros não podem, se eventualmente não tiver, e há aqui dois sistemas que na mesma banda horária se sobrepõem", afirmou.

À Lusa, o especialista em transportes ferroviários acrescentou que um sistema de transporte só pode ter um sistema de regulamentação e de segurança, não podendo ser "ambíguo".

"Se introduzirmos procedimentos diferentes - ou dois sistemas diferentes - ao mesmo tempo, em tempo real, numa determinada localização, a probabilidade de podermos vir a ter um incidente pode efetivamente tornar-se muito grande", observou.

O descarrilamento de um comboio Alfa Pendular, na linha do Norte, após colidir com uma máquina de trabalhos da Infraestruturas de Portugal, provocou esta sexta-feira dois mortos, sete feridos graves e 43 feridos ligeiros, disse o comandante distrital de operações de Coimbra, Carlos Luís Tavares, num ponto de situação feito no local do acidente.

O Alfa Pendular, que transportava 212 passageiros, seguia no sentido Sul-Norte, tendo saído de Santa Apolónia, em Lisboa, às 14h00, e tinha como destino final Braga.

O acidente ocorreu pelas 15h30, perto da vila de Soure, mais concretamente junto à localidade de Matas, na região Centro.


Maquinista de alfa em estado grave
Em informação prestada à agência Lusa pelas 20h10, o CDOS sinalizou a existência de 169 vítimas ilesas, além de dois mortos (os únicos ocupantes de uma máquina de trabalhos ferroviários da Infraestruturas de Portugal) e 43 feridos, sete dos quais graves, num total de 214 pessoas envolvidas no acidente ferroviário.

Já numa atualização de dados comunicada à Lusa às 21h00, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) indicou ter recebido 28 feridos, dois dos quais graves e outros dois muito graves.

Um dos casos mais graves (politraumatismo), que foi levado para o bloco operatório de emergência, é o maquinista do Alfa Pendular.

Dos 24 restantes feridos referidos pelo CHUC, todos ligeiros, 21 deram entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC, onde também estão os quatro feridos graves) e os três restantes - uma menina de 6 anos, e uma rapariga e um rapaz de 16 anos - foram assistidos no Hospital Pediátrico.

Nas informações avançadas inicialmente, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil dava conta de 37 feridos e sete feridos graves.

Dois helicópteros do INEM foram acionados para o local para transportar vítimas em estado grave para o hospital. Pelas 18h50 eram 225 os operacionais no terreno, apoiados por 85 meios terrestres. 
O acidente aconteceu quando a composição rápida proveniente da estação de Santa Apolónia, Lisboa com destino a Porto e Braga embateu numa dresina de manutenção de via em circunstância ainda desconhecidas. 

As vítimas mortais são os dois operadores da máquina da REFER.


Dois meios aéreos foram acionados para o local para transportar vítimas em estado grave para o hospital. O comboio transportava 212 passageiro e mais de 220 operacionais e 84 viaturas foram mobilizados para o local.

Pavilhão Gimnodesportivo de Soure transformado em centro de apoio
As vítimas ilesas foram encaminhadas para o Pavilhão Gimnodesportivo de Soure, onde foram alvo de triagem por parte do INEM, retomando a sua viagem em Alfarelos, assim que tiverem alta.

O espaço assistiu 180 passageiros que seguiam no comboio. Entre as vítimas, nove feridos foram transportadas para o Hospital Universitário de Coimbra, uma para o Hospital Distrital da Figueira da Foz. Entre os feridos encontrava-se ainda uma criança, entretanto transportada para o Hospital Pediátrico de Coimbra. 

"Temos também as nossas equipas de apoio psicológico a acompanhar as pessoas que estão no Pavilhão Gimnodesportivo", informou a médica do INEM à Agência Lusa, Paula Neto.

"A segurança ferroviária não está em causa", diz Ministro das Infraestruturas

O ministro das Infraestruturas e da Habitação afirmou esta sexta-feira que é preciso aprender com o que aconteceu no acidente em Soure, entre uma máquina de trabalhos e um Alfa Pendular, para diminuir os riscos de acidentes ferroviários.

"Acreditamos na ferrovia. Eu não diria que a ferrovia passa a ser um meio de transporte inseguro, mas não impede que os acidentes possam acontecer como este aconteceu. Mas temos de aprender com o que aconteceu para diminuir mais os riscos de acidentes na ferrovia", disse Pedro Nuno Santos, que falava aos jornalistas em Soure, próximo do local do acidente.

Pedro Nuno Santos apresentou as condolências às famílias dos dois trabalhadores da Infraestruturas de Portugal (IP), aproveitando ainda a ocasião para "dar um abraço de solidariedade a todos os trabalhadores da IP que fazem a manutenção da rede ferroviária numa base diária".


Veja o local do acidente


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