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João Rendeiro encontrado morto na cela de cadeia de alta segurança na África do Sul

Advogada deixa de representar Rendeiro por falta de pagamentos. Ex-banqueiro estava sem dinheiro.

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Débora Carvalho e Pedro Zagacho Gonçalves (pedrogoncalves@cmjornal.pt)|13 de maio de 2022 às 09:27
João Rendeiro, ex-banqueiro que estava preso na África do Sul, morreu esta sexta-feira, aos 69 anos. 

O ex-líder do BPP foi encontrado morto numa cela da cadeia de alta segurança de Westville, em Durban, num cenário de enforcamento, confirmou ao CM a advogada June Marks, que o representava. A causídica iria deixar de representar Rendeiro, como revelou ao CM, decisão que seria anunciada ao juiz precisamente esta sexta-feira.

June Marks ia deixar de representar João Rendeiro devido à falta de pagamentos. O ex-banqueiro não tinha fundos para continuar a pagar aos advogados, sabe o CM, e iria agora ter um advogado do Estado. "Não havia fundos para mais nada. Ele não queria que eu saísse, mas não tinha dinheiro para me pagar", disse June Marks, adiantando que ia deixar a defesa de Rendeiro a 19 de abril. Esta sexta-feira iam a tribunal formalizar a questão.

Durante o dia foi avançada a informação de que seria a advogada June Marks a identificar o corpo de João Rendeiro. No entanto, a embaixada portuguesa pediu para ser o organismo a identificar. A autópsia está marcada para a próxima segunda-feira. Ao que o CM apurou não são esperados familiares do ex-banqueiro na África do Sul.

June Marks revelou ao CM que Rendeiro não foi encontrado morto na cela que partilhava com outros 50 reclusos, mas sim noutra cela onde "estava sozinho ou com muito pouca gente", para a qual foi transferido, já que ia ser presenta a tribunal esta sexta-feira.

Rendeiro estava na cadeia sul-africana há cerca de seis meses, em prisão preventiva, a aguardar decisão sobre o processo de extradição para Portugal, após uma fuga à justiça que durou cerca de três meses.

Rendeiro tinha sido condenado a dez, cinco e três anos de cadeia, em vários processos no âmbito do caso BPP.

O CM sabe que já foi aberta uma investigação das autoridades sul-africanas à morte de Rendeiro na cadeia, que tinha alegado em tribunal problemas de saúde para ser libertado. Rendeiro queixava-se também do facto de partilhar uma cela com 80 metros quadrados com outros 50 reclusos e de que seria alvo de ameaças e tentativas de extorsão por parte dos outros presos.

Segundo revelou a advogada de Rendeiro ao CM, o ex-banqueiro ia ser presente a tribunal esta sexta-feira, numa sessão prévia da decisão final sobre a extradição, que estava agendada para 13 de junho, que foi antecipada.

Segundo apurou o CM, os guardas da prisão de Westville e a advogada June Marks relataram um "comportamento errático" de Rendeiro nos últimos dias.
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