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Bolsonaro ignora recomendações e abraça apoiantes na rua

Presidente brasileiro criticou governadores de estados e autarcas de cidades que adotaram medidas de isolamento social.

Bolsonaro ignora recomendações e abraça apoiantes na rua
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil|06 de abril de 2020 às 15:24

Contrariando Bolsonaro, 76% dos brasileiros aprovam as medidas de quarentena decretadas por governadores e autarcas por todo o Brasil

Numa nova violação às orientações de médicos, do seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Organização Mundial de Saúde, OMS, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, voltou este domingo a sair, a provocar aglomeração em frente ao palácio presidencial e a ter contacto físico com apoiantes. Bolsonaro tocou as mãos de simpatizantes, abraçou ao menos um deles, e tirou fotos colado a muitos outros enquanto criticava mais uma vez governadores de estados e autarcas de cidades que adotaram medidas de isolamento social para tentarem reduzir o ritmo do avanço da pandemia de coronavírus.

"Cada chefe de executivo (estaduais e municipais) está a tentar mostrar mais medidas restritivas do que o outro. Mas já tem gente que está a voltar atrás. Eu posso ficar três anos aqui em isolamento, se precisar, mas o povo brasileiro não pode", afirmou Bolsonaro aos populares aglomerados como de costume junto à entrada do palácio, em Brasília. "A minha missão aqui, o pessoal deve saber, é fazer o melhor para o país. Semana passada, eu fui massacrado pela imprensa por ter ido a Taguatinga (cidade satélite de Brasília onde confraternizou com populares), como se um general não pudesse estar no meio dos seus soldados", justificou o governante, que em outros dois domingos também foi para as ruas de Brasília alegando que um presidente tem de estar junto ao povo.

Enquanto fazia esse pequeno discurso, Jair Bolsonaro manteve uma distância prudente da multidão, que, no entanto, se aglomerava sem qualquer cuidado. Mas, quando um dos populares disse que não abraçava ninguém desde o dia 17 de Março, por causa do coronavírus, Bolsonaro foi até ele, primeiro apertou-lhe a mão e depois deu-lhe um abraço.

Em seguida, e violando totalmente as orientações dos especialistas, Bolsonaro tomou literalmente um banho de multidão e tirou fotos com muitos dos populares. Enquanto isso, a multidão entoava versículos da Bíblia e cânticos evangélicos e pedia ao presidente aquilo que ele mais deseja, que tome medidas para acabar com o isolamento social e o fechamento de actividades não essenciais decretadas por governantes regionais e locais, que Bolsonaro considera que são uma forma de prejudicar o seu governo paralisando a economia e visando as próximas presidenciais, que só se realizam em 2022 e nas quais ele já é candidato assumido à reeleição.

Até esta segunda-feira, e apesar de o Brasil ainda estar muito longe do pico da pandemia de coronavírus, o país já tinha registado 11.298 infectados e 490 mortes. Esta segunda também, o Instituto Datafolha divulgou uma sondagem que mostra que 76% dos brasileiros aprovam incondicionalmente as medidas de quarentena e isolamento social, evidenciando claramente o isolamento do presidente em relação à vontade da maioria da população.
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