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Câmara de Lisboa entregou à Rússia dados pessoais de ativistas russos e portugueses

Partidos exigem explicações a Fernando Medina.

Câmara de Lisboa entregou à Rússia dados pessoais de ativistas russos e portugueses
Correio da Manhã|10 de junho de 2021 às 10:23
A Câmara de Lisboa fez chegar às autoridades russas os nomes, moradas e contactos de três manifestantes russos que, em janeiro, participaram num protesto, em frente à embaixada russa em Lisboa e Moscovo, pela libertação de Alexey Navalny, opositor daquele Governo, avançou esta quarta-feira o jornal Expresso e o Observador. 

Os três manifestantes residentes em Portugal pediram autorização para realizar a manifestação em Lisboa contra a prisão de Alexei Navalny.

Uma das ativistas, com dupla nacionalidade russa e portuguesa, afirma ter medo de voltar a casa, alertando para o facto de terem sido partilhados dados de cidadãos portugueses, explicou ao jornal Expresso.

Moedas quer demissão de Medina
O candidato do PSD à Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, disse esta quarta-feira o presidente Fernando Medina terá de se demitir, caso se confirme que a autarquia enviou para a Rússia dados de três pessoas que participaram numa manifestação anti-Kremlin.

"A confirmar-se, Fernando Medina só terá uma saída: a demissão", afirmou Carlos Moedas, numa publicação na rede social Twitter.

CDS quer chamar Medina à Assembleia da República para esclarecer envio de dados à Rússia
O CDS apresentou, esta quarta-feira, um requerimento para a audição do Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, após o alegado envio de dados pessoais de três manifestantes à Rússia.

No requerimento, dirigido ao presidente da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, Sérgio Sousa Pinto, o deputado Telmo Correia pede que "se delibere a presença do senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa para prestar esclarecimentos" sobre a suposta divulgação de dados pessoais à Federação Russa.

No documento, o CDS notou que, apesar da autarquia ter assumido o erro, os serviços da câmara afirmaram "que era da inteira responsabilidade dos promotores ter o cuidado de não facultar informações pessoais que excedessem o estritamente necessário para o cumprimento dos preceitos legais e que este era o 'procedimento habitual adotado à vários anos'".

Para o grupo parlamentar do CDS, tal afirmação "faz supor que não é a primeira vez que são revelados dados de cidadãos" a outros países. "Esta situação afigura-se preocupante e extremamente relevante tanto mais quanto é sabido que a Federação Russa tem violado os direitos humanos, nomeadamente perseguindo os opositores daqueles que se encontram no poder daquele Estado", apontou. O CDS também enviou um conjunto de perguntas a Fernando Medina.

BE vai pedir explicações a Medina 
A candidata do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Lisboa, Beatriz Gomes Dias, anunciou hoje que vai pedir explicações a Fernando Medina sobre a partilha com o governo russo de dados de organizadores de uma manifestação anti-Kremlin.

Na rede social Twitter, a bloquista escreveu: "O Bloco vai pedir esclarecimentos a Medina sobre a partilha de dados de quem organizou uma manifestação a exigir a libertação de Navalny".

"A confirmar-se, é uma inadmissível violação da lei", considerou Beatriz Gomes Dias, a concluir o seu texto.

IL quer que Medina assuma responsabilidades
A Iniciativa Liberal (IL) exigiu que o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, assuma responsabilidades políticas pela alegada divulgação de dados pessoais de manifestantes à Rússia e que o Estado garanta a segurança dos visados.

"Perante a gravidade destes factos e admitindo, de momento, que estamos perante apenas uma situação de profunda incompetência e não de uma ação deliberada que teria ainda outro nível de gravidade, a Iniciativa Liberal exige que Fernando Medina e a sua equipa assumam as suas responsabilidades políticas", apontou, em comunicado, o partido. A IL quer ainda que seja tornado público o resultado da averiguação interna feita pela Câmara Municipal de Lisboa e que o Estado garanta a segurança dos cidadãos em causa e das respetivas famílias.

Por outro lado, o partido quer ver esclarecido se é "prática normal a transmissão deste tipo de informações a outros Estados e, em caso afirmativo, quantas vezes e em que circunstâncias aconteceu", bem como se o Ministério dos Negócios Estrangeiros português tinha conhecimento deste caso.

"Com este ato de incúria grosseira, a Câmara Municipal de Lisboa destruiu qualquer confiança que pudesse existir na gestão do seu executivo e pôs em causa a segurança dos três cidadãos , dois deles com nacionalidade portuguesa, bem como das suas respetivas famílias", vincou.

PSD diz que alegada entrega de dados à Rússia a ser verdade é "gravíssimo" e tem que ser esclarecido
O presidente do PSD, Rui Rio, considerou que, a ser verdade, o alegado de envio de dados pessoais de três manifestantes à Rússia é "gravíssimo" e "tem que ser esclarecido.

"Se o PS e Fernando Medina o fizeram não é grave, é gravíssimo. A ser verdade, teria de ter consequências consentâneas com uma atitude absolutamente inqualificável em democracia", refere Rui Rio numa mensagem hoje na rede social Twitter.

"Custa-me muito a acreditar que isto possa ter mesmo acontecido assim. Tem de ser esclarecido", disse.

Volt Portugal exige demissão imediata de Fernando Medina
O Volt Portugal (VP) exigiu a demissão imediata do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, na sequência do caso relacionado com a alegada partilha com o governo russo de dados de organizadores de uma manifestação anti-Kremlin.

Em comunicado, o VP diz que com esta medida, a Câmara de Lisboa "colocou em risco a vida de três russos que vivem em Portugal", adiantando que "a primeira consequência é o receio de voltarem ao seu país e serem imediatamente detidos no aeroporto".

"Esta é uma situação de uma enorme gravidade e o Volt considera que não pode passar impune. O principal responsável político pelos serviços camarários é Fernando Medina e é esperado do próprio um pedido de desculpas público, assim como que retire consequências políticas imediatas", lê-se na mesma nota.

O presidente do partido, Tiago de Matos Gomes, defende que esta situação é "demasiado grave para não haver consequências políticas".

"Num país europeu sério este caso daria direito a demissão imediata. Espero que Fernando Medina assuma as suas responsabilidades, assumindo o erro, pedindo desculpas e demitindo-se do cargo. Seria um ato de dignidade do atual presidente da Câmara de Lisboa", diz o dirigente do VP, citado na mesma nota.

 

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