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Depois do terror, sonham conhecer CR7: Meninas da seleção nacional de futebol do Afeganistão acolhidas em Portugal

Têm entre 14 e 16 anos e temiam ser perseguidas por praticarem desporto, algo que os talibãs proibiram.

Depois do terror, sonham conhecer CR7: Meninas da seleção nacional de futebol do Afeganistão acolhidas em Portugal
Pedro Zagacho Gonçalves (pedrogoncalves@cmjornal.pt)|21 de setembro de 2021 às 21:25
Foram semanas de terror, medo e ansiedade, vividas pelas meninas da seleção nacional de futebol do Afeganistão. Têm apenas entre 14 e 16 anos e tiveram que passar os últimos tempos a fugir dos talibãs que tomaram o país que as viu nascer. Precisavam de uma garantia de que podiam abandonar o Afeganistão. E esse sinal chegou no domingo. Um voo charter levou-as, assim como às suas famílias, para fora de Cabul, rumo a Portugal.

Chegaram esta domingo à noite, num voo com mais de 80 pessoas. O grupo foi acolhido provisoriamente em unidades de acolhimento da Grande Lisboa, devendo ser transferidas, posteriormente, para habitações autónomas de norte a sul do país.

Foi a luz e esperança que precisavam, depois de verem a vida completamente do avesso e de temerem perseguições: não só por praticarem desporto (o que é proibido pelos talibãs), como também porque são ativistas dos direitos femininos no país e membros ativos das respetivas comunidades.

Uma quer ser médica, outra sonha trabalhar no cinema, algumas aspiram a ser engenheiras. Todas desejam crescer e ser jogadoras de futebol profissionais. "Deixaram as casas, deixaram tudo para trás. Ainda não acreditam que estão fora do Afeganistão", relata à Associated Press Farkhunda Muhtaj, capitã de equipa da seleção nacional de futebol feminino do Afeganistão, que organizou a saída das meninas a partir da sua casa, no Canadá.

Muhtaj conta que foi falando com as atletas regularmente e tentou acalmá-las com exercícios de ioga e sessões de estudo onde, por exemplo, escreveram a sua autobiografia. "O estado mental delas estava a deteriorar-se. Tinham saudades de casa. Sentiam falta dos amigos. Nos reavivámos-lhes o espírito", diz a capitã, também professora. 

A Operação Bola de Futebol (Soccer Ball), como se chamou a retirada das menores, foi fruto do trabalho de militares e aliados dos EUA, dos serviços secretos e grupos humanitários, com uma ajuda do senador norte-americano Chris Coon, conta à AP Nic McKinley, da CIA e da Força Aérea norte-americana. Teve os seus precalços, incluindo um ataque do Daesh ao aeroporto que matou 169 afegãos e 13 militares norte-americanos.

"Estas raparigas são um símbolo de luz para o mundo, para a humanidade", acrescenta o antigo oficial da casa Branca Robert McCreary, que trabalhou com as forças especiais na retirada das meninas.

À chegada a portugal, as atletas falaram à AP através de um tradutor. Querem continuar a jogar futebol e esperam poder conhecer Cristiano Ronaldo, uma referência para todas elas, que sabem ser natural do país que agora as acolheu.
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