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"É um ataque à liberdade": André Ventura reage à recusa do Parlamento em condenar Ferro Rodrigues

Deputado único do Chega afirma que o sistema não está preparado para a diferença.

"É um ataque à liberdade": André Ventura reage à recusa do Parlamento em condenar Ferro Rodrigues
Lusa e Marta Ferreira|20 de dezembro de 2019 às 15:52
O parlamento recusou esta sexta-feira condenar o seu presidente, Ferro Rodrigues, pelo incidente da repreensão ao deputado único do Chega por recorrer em demasia à palavra "vergonha" e posteriores declarações sobre o episódio.

André Ventura reagiu em exclusivo ao Correio da Manhã. "É uma vergonha que o Parlamento, que é a casa da liberdade, não reconheça que houve um ataque à liberdade e democracia", assume acrescentando que a atitude "só mostra que o sistema não está preparado com a diferença".
O deputado único do partido Chega apontou ainda que o Parlamento reage contra "quem quer fazer a diferença" e acusa as bancadas parlamentares por não se terem juntado a si uma vez que, segundo Ventura, se trata de censura. "É negativo porque isto é censura, mas não é nada de que não estejamos à espera", conclui. 

O parlamento avaliou o voto apresentado por André Ventura com um texto em que manifestava preocupação pelas afirmações de Ferro Rodrigues reproduzidas pelo semanário Expresso: "Tenho que parar isto a tempo?", referindo-se às intervenções do deputado da extrema-direita populista.

"A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, vem desta forma manifestar a sua condenação por estas declarações e pelo caminho que, aparentemente, está a ser seguido na sua relação com os restantes deputados por sua excelência, o senhor presidente da Assembleia da República, cortando-lhes, a ampla capacidade de expressão que a constituição e o regimento da Assembleia da República lhes reconhecem", foi a deliberação rejeitada todas as bancadas, à exceção de CDS-PP e do deputado único da Iniciativa Liberal, os quais se abstiveram.

O Chega voltou hoje a ser o recordista de votos apresentados na sessão plenária, com mais três: de condenação e preocupação pelo acolhimento em Portugal de um grupo de estrangeiros que entraram no país de forma ilegal, de condenação e preocupação pela descida de Portugal no Índice de Desempenho das Alterações Climáticas e de condenação e preocupação pelas falhas ocorridas na prestação de socorro a vítimas pelo INEM.

Todos os textos apresentados por André Ventura acabaram chumbados pelo resto da câmara. Com a generalidade de votos contrários, só o deputado da Iniciativa Liberal votou ao lado do Chega, enquanto o CDS-PP se absteve quanto ao acolhimento de imigrantes.

O PSD votou a favor do documento do Chega sobre o índice de alterações climáticas e absteve-se, tal como o CDS-PP, no texto sobre as falhas do INEM.

Os democratas-cristãos viram dois votos aprovados no hemiciclo. Um de condenação e pesar pelas 304 pessoas mortas em protestos antigovernamentais em novembro no Irão e outro de solidariedade pela decisão da Comissão Europeia de condenar o assassinato da jornalista maltesa Daphne Galizia. Em ambos os casos, só PCP e PEV optaram pela abstenção.

O BE apresentou um voto de saudação pelo Dia Internacional das Migrações o qual foi aprovado por todas as bancadas à exceção de CDS-PP, Chega e Iniciativa Liberal, os quais se abstiveram.

O PAN submeteu um documento a condenar a expulsão da ativista portuguesa Isabel Lourenço do Saara Ocidental que foi aprovado, embora com a abstenção de PS e PSD e os votos contra de CDS-PP e Chega.

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