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GNR desmente detenção de motoristas durante a greve

Pardal Henriques deu conta de que três motoristas haviam sido detidos pelo crime de desobediência à requisição civil.

GNR desmente detenção de motoristas durante a greve
A GNR desmentiu, esta quarta-feira, ter procedido à detenção de motoristas durante o terceiro dia da greve. 

"Hoje, dia 14 de agosto, a Guarda Nacional Republicana, vem esclarecer que foram quatro trabalhadores notificados de que a sua não comparência no local de trabalho constituía a prática do crime de desobediência. Perante este facto decidiram voluntariamente cumprir o serviço para o qual estavam nomeados. Assim, não se encontra nenhum trabalhador detido", pode ler-se num esclarecimento enviado pela GNR à Comunicação Social.

Recorde-se que Pardal Henriques deu conta de que três motoristas haviam sido detidos pelo crime de desobediência à requisição civil decretada pelo Governo, por se recusarem apresentar ao trabalho.

"Estes senhores estão a ser notificados em casa. Estão a ser detidos em casa deles e são obrigados a vir até à empresa, forçados, para trabalhar", referiu Pardal Henriques aos jornalistas, na estrada nacional 366, em Aveiras de Cima.

De acordo com o porta-voz do SNMMP, as empresas enviaram uma notificação para a Procuradoria-Geral da República e para o Ministério Público, para forçar os motoristas a cumprir com os serviços.

"Imaginem o risco que estas pessoas vão correr, alguém que é detido em casa porque é obrigado a trabalhar, simplesmente, porque está a exercer um direito que é legítimo, que é a greve, e porque se recusou a trabalhar", disse.

Aníbal Cartaxo, um dos motoristas que foi obrigado a trabalhar, disse que, se não fosse fazer a escala para que estava indicado, seria detido.

"Se não viesse trabalhar ficava detido, ia preso", contou aos jornalistas, à saída de uma empresa de camiões-cisterna, dizendo que foi apenas identificado.

Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias cumprem esta quarta-feira o terceiro dia de uma greve por tempo indeterminado, que levou o Governo a decretar uma requisição civil parcial e gradual, na segunda-feira à tarde, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

O Ministério do Ambiente e da Transição Energética afirmou esta quarta-feira, ao final da tarde, que não é "necessária, neste momento, a revisão dos termos da requisição civil em vigor", já que os serviços mínimos foram "genericamente cumpridos" até às 19h00.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), com o objetivo de reivindicar junto da Antram o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.
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