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Heróis CM: dar a vida pelos outros

Carlos Caetano perdeu a vida com a farda que tanto amava. Morreu a servir a população.

Heróis CM: dar a vida pelos outros
Tânia Laranjo e Francisco Manuel|10 de junho de 2017 às 01:30
São diferentes atos heroicos, mas revelam o altruísmo de quem é capaz de dar a vida pelos outros. Carlos Caetano, militar da GNR assassinado por Pedro Dias em Aguiar da Beira, vestia a farda que tanto amava. Foi com ela que perdeu a vida, a cumprir o sonho de criança. Ser GNR, ajudar a população, servir os outros. Ficam as memórias que aliviam a dor de quem ainda hoje só tem perguntas. E fica o exemplo de um jovem, de 29 anos, que tombou no cumprimento do dever.

Vítor Pereira, de 44 anos, foi outro dos heróis que o CM homenageou a título póstumo. Lançou-se às frias águas da Foz do Douro para salvar o sobrinho de dez anos. Bernardo lutava pela vida, Vítor, que não sabia nadar, não hesitou. Morreu, porque no peso da balança a sua vida era menos importante. A do menino estava primeiro.

Nas lágrimas de quem fica, moram inúmeras histórias de heróis que serão eternos. Para todos os que os amavam, para todos os que com eles conviveram. Para os que aprenderam a mais importante lição de vida: de que até ela pode estar em segundo plano, para salvar terceiros. "Só tenho lembranças boas. Que me vão acompanhar a cada momento", diz António Caetano, pai do militar da GNR, enquanto Domingos Pereira recorda com saudade o irmão que deu força ao seu filho para se manter à tona das águas, até ser resgatado.

"Sinto-me mais próxima quando conversamos" 

Lúcia não se recompôs. E duvida que alguma vez consiga recuperar. Perdeu um filho na flor de idade, com apenas 29 anos. Carlos Caetano era o herói da família, o militar da GNR que na pequena freguesia de Pinheiro, às portas de Aguiar da Beira, todos respeitavam. Teve sempre o sonho de ser GNR e foi morto à queima-–roupa, durante uma operação de rotina, por Pedro Dias. Carlos terminava o turno e teve morte imediata depois de ser atingido na cabeça. Tinha vestida a farda que tanto amava.

A manhã de 11 de outubro - o banho de sangue protagonizado por Pedro Dias - será sempre a data em que a tragédia destruiu a harmonia de quem era feliz porque tinha muito. Quatro filhos, duas sobrinhas, recorda a sorrir uma mulher que hoje tenta agarrar-se às memórias. "Éramos felizes. Quando entravam todos por aqui a rir éramos felizes. Não precisávamos de mais, éramos felizes", repete, vezes sem conta, agarrada a um passado que recusa aceitar que não regresse. "Não aceito. Continuo a não aceitar que o meu filho morreu. Vou ao cemitério, vejo aquele monte de terra e recuso resignar-me".

Ao seu lado, marido e filhos tentam também viver a dor à sua maneira. De forma menos expressiva, mas não menos dolorosa. A revolta está de tal forma patente no silêncio dos irmãos, de 15 e 17 anos, que a casa, que Lúcia garantia ser acolhedora, torna-se fria. Oito meses depois, ouvem-se apenas as lágrimas de uma mãe destroçada. "Porquê? Porque é que ele o matou? Porque é que tinha de acabar assim?".

No primeiro andar da casa onde a família ainda mora, mantém-se intacto o quarto de Carlos. Lúcia limpa-o todos os dias, muda o lugar da roupa. Desarruma e volta a arrumar. "Converso com o meu filho. Sinto-me mais próxima, sinto-o mais perto. Acho que nunca conseguirei desfazer-me de nada", confessa.

Não muito longe, a menos de 500 metros do cemitério onde agora repousa Carlos Caetano, mora Catherine. A jovem, com quem o militar da GNR vivia há pouco menos de dois meses, mantém-se também em choque após a sua morte.
"Falamos muito do Carlos aqui em casa. Quando não sei o que fazer pergunto-lhe, converso com ele, peço-lhe conselhos", diz-nos com um olhar triste e numa tentativa constante de conter as lágrimas. "Desculpem", repete, quando perde as forças. E desabafa: "Não aceito que tenha acabado assim. Tínhamos tantos sonhos, tantos projetos. Tínhamos um futuro que já não existe".

Oito meses depois, a aproximação do julgamento de Pedro Dias perturba esta família. "Não sei como vou reagir. Não sei o que lhe direi. Não percebo como é que ele foi capaz de matar o filho de alguém, quando ele também tem filhos. Não percebo sequer porque o fez", diz António Caetano, enquanto Catherine reconhece não saber se terá coragem de enfrentar o assassino. "Se alguma vez o poderei perdoar? Como é que poderia perdoar quem levou o amor da minha vida?", pergunta.

Vítor deu a vida pelo sobrinho de 10 anos

Dez meses após morrer afogado, quando tentava salvar o sobrinho, de 10 anos, no mar da praia Internacional do Porto, o CM homenageou Vítor Pereira, de 44 anos. A distinção, no âmbito da iniciativa Heróis CM 2017, foi entregue ao irmão, Domingos Pereira, pai da criança. "Uma grande honra", diz. Agora, acrescenta, o mais importante é não deixar cair esta morte no esquecimento e tudo fazer para que a praia passe a ser vigiada. "Esta distinção é uma honra. Não por mim, mas pelo meu menino, que viveu o ato heroico do meu irmão. Ele é que deveria estar aqui", considera Domingos Pereira. "Depois do que aconteceu tenho feito vários contactos para que a praia seja vigiada, mas até agora ninguém se interessou. No entanto, não irei desistir", afirma Domingos Pereira, que recorda as últimas palavras do irmão, Vítor, dirigidas ao sobrinho Bernardo. "Segue em frente. Vás para onde fores eu estarei sempre ao teu lado".
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